quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A História de Sueli e Tadeu - Parte II

História de Um Olhar - Eliane Brum

Do livro A Vida Que Ninguém Vê, de Eliane Brum
confira o pdf:

História de Um Olhar

A Dama das Luvas

Nos Gerais da Dor - Maria Carpi

Maria Carpi


#35

Eu aceito, Dor, de ti separar-me
e que não mais haja tua epiderme
a testar o quente e o frio,
a distância e os lábios rentes.
Vou diretamente ao fogo e à água.
Separemo-nos. Tu como um poema
que eu tivesse escandido na exaustão
de um sumo maduro que, todavia,
goteja. Eu, em meus ossos enxutos,
harpa que os ventos encarregar-se-ão
de timbrar, sem a suavidade pássara
de tuas mãos. Separemo-nos!

À Espera dos Bárbaros

Konstantino Kaváfis (1863-1933)

O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?

É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?

É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?

É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloqüências.

Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?

Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Encontre suas capacidades para conhecer e conviver e, ao mesmo tempo, ajudar outros.

Curso de Instrução do Acompanhante Terapêutico (últimas vagas)
Tema: O Conviver

Alinhar ao centro
Gauguin´s Tahitian Women - On the Beach 1891


Encontre suas capacidades para conhecer e conviver e, ao mesmo tempo, ajudar outros.

Seja, ao natural, uma pessoa que pode ter saúde mental e contribuir para que outros tenham.

Cuide e ajude quando acontecem estresses, crises, quer nossas, das famílias ou do grupo em que se vive.

O que é ser capaz de ajudar?
Conhecer e ser um melhor amigo, um colega, um familiar ou um Acompanhante Terapêutico.
Capacitar-se para cuidar de pessoas com depressões, medos, desajustamentos, dependência de drogas e medicações, distúrbios alimentares entre muitos outros.
Poder integrar uma equipe com outros que trabalham com a saúde mental.

Requisitos básicos para se tornar um hábil nas relações interpessoais:
Gostar de se relacionar socialmente e de ajudar as pessoas.

Módulo Primeiro – Base do Trabalho: como ajudar a pensar, refletir e falar.
Introdução ao Acompanhamento Terapêutico (AT);
Verdades: como começaram a moral e as regras éticas; Base Relacional: deve haver mais de uma forma de amor; Estudo da mente e suas expressões variáveis; Abordagem em momentos críticos;
Dilemas: amizade e suas alternativas – o encontro melhora a convivência; O trabalho com Familiares; e Situações exemplares.

Devido à grande procura, a Clínica Verri decidiu abrir inscrições para a segunda turma de instrução do Acompanhante Terapêutico, conduzido pela médica Cínthya Verri e pelo filósofo Roberto Milman Azambuja, ambos psicoterapeutas.
São dez vagas.

Serão oito aulas, sempre às quartas, das 20h às 21h30.

Iniciamos dia 14/10, mas ainda é tempo de vir.

Inscrições pelo telefone (51)3022.4444 ou pelo atendimento@clinicaverri.com.br

$: R$200,00 mensais

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Por que o Acompanhante Terapêutico?


Na estrada, foto de Vicente Carpinejar


É comum entre as pessoas que fazem a Clínica Peripatética (a clínica em movimento) dizer que é preciso sair do consultório e caminhar para que ocorra a desterritorialização, que é um nome bem complicado.

Nome complicado, mas simples de compreender.

Desterritorializar é tirar do lugar seguro, já engessado, e ir até outro lugar. Sair para que a pessoa possa ver a si mesma desde um outro território.
Sair para se re-conhecer

Cada vez que mudamos de cidade nos vemos diferentes, capazes de novas coisas e incapazes de tantas outras.

Todos nós que fizemos uma viagem a outro país, ou conhecemos alguém que fez, sabemos quão diferente sentimos a nós mesmos quando estamos longe de casa.
Pois bem, fazer uma Clínica Peripatética ou um Acompanhamento Terapêutico nas ruas é sair de casa.

O mais importante é que esta saída não tem como intuito movimentar só o paciente - é mais que tudo uma tentativa de desterritorializar toda a análise, que por vezes encontra-se paralisada, presa com uma estaca no mesmo lugar.

Por isso o Acompanhante Terapêutico é um terapeuta que vem complementar o processo de cura. Ele vai ser aquele que vem de fora, o estrangeiro que ajuda a chegar até um outro lugar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Curso de Instrução do AT: Nova turma às quartas-feiras


Nossa primeira turma lotou.
Devido à procura, abrimos nova oportunidade, agora às quartas-feiras.

O fazer do AT:

O AT desenvolve projetos terapêuticos para diversos quadros clínicos: depressivos, de pânico e de fobias, dependentes químicos, distúrbios alimentares, entre outros.

Geralmente integra uma equipe multiprofissional com psiquiatra, psicólogo e outros profissionais. Porém, seu trabalho acontece fora das instituições convencionais ou consultório.


Para quem é o curso?

Não é necessária formação especial anterior, apenas o ensino médio. O AT trabalha junto com o psiquiatra e o psicólogo. Precisa ter muita vontade de se dedicar, de se envolver.

O curso também está indicado para quem tem alguém que ama e precisa, um familiar adoecido, por exemplo, para quem quer cuidar melhor desta pessoa, quer se instruir para fazer isso com muito mais qualidade. Não está apenas para aqueles que querem se profissionalizar.

Datas: quartas-feiras, às 20h.

Início da segunda turma: 14/10/09


$: 200,00 mensais

Inscrições: (51)3022.4444 / atendimento@clinicaverri.com.br


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

AT: Release e Resumo da Entrevista






Até para atravessar o inferno dependemos de um amigo.


É o que ensina Dante Aligheri que convidou ficcionalmente seu poeta predileto Virgílio para acompanhá-lo no território das sombras durante o percurso da Divina Comédia.


Até para atravessar a loucura dependemos de um amigo.


É o que alerta Cervantes a partir da lealdade de Dom Quixote e Sancho Pança.


O Acompanhante Terapêutico é um pouco disso. Um profissional que acompanha o paciente em seu dia a dia. Nada de grude ou leão de chácara dos problemas. Ou alguém posto pela família para vigiar. É um terapeuta que caminha junto do paciente. Ajuda o acompanhado a enfrentar os dilemas miúdos do cotidiano e a pressão social. Que assegura a independência de pensamento e de ação. Alguém capacitado a fazer o elo entre os familiares e as atividades sociais. Reduz o isolamento e permite que o mundo seja ampliado com conselhos, programas e saídas culturais.


Ao invés do paciente frequentar a clínica, a clínica acompanha o paciente. Para o melhor enfrentamento das dificuldades quando surgirem.
É a chamada Clínica Ampliada. A pressa faz com que seja cumprido o papel pelo outro. A ânsia de ajudar atrapalha. O AT desenvolve a capacidade de esperar.

Um exemplo é o gago, a predisposição é completar sua fala antes que ele próprio desenvolva o raciocínio até o fim. O papel do Acompanhante é não pressionar. Deixar que ele desenvolva a sua comunicação livre de atalhos. Sua função é garantir a aceitação dos defeitos e a emancipação orgulhosa da visão de mundo.

Fundamental conseguirmos valorizar a presença do AT, contar para as pessoas que o Acompanhamento Terapêutico existe.

É um bom lugar de começar para quem deseja ser terapeuta.
O AT é um terapeuta complementar, em geral faz parte de uma equipe interdisciplinar.

É um delta de cura – acelera o processo terapêutico.


Não é necessária formação especial anterior, apenas o ensino médio. O AT trabalha junto com o psiquiatra e o psicólogo.
Precisa ter muita vontade de se dedicar, de se envolver.

O curso também está indicado para quem tem alguém que ama e precisa, um familiar adoecido, por exemplo, para quem quer cuidar melhor desta pessoa, quer se instruir para fazer isso com muito mais qualidade. Não está apenas para aqueles que querem se profissionalizar.

Uma das maneiras de trabalhar com angústias é através da literatura. A terapia literária é para buscar dentro de sua história, entender a sua história para escrever. O livro é uma ferramenta do AT – damos valor para a vivência literária.

É fundamental – e esse grupo tem um conselho, o primeiro Conselho de Escritores para a Recuperação Emocional – cinco autores que ofereceram sua bagagem cultural para informar o melhor livro, a melhor história para cada quadro clínico. Porque às vezes não sabemos o que prescrever, lemos, mas não tanto quanto o profissional da literatura. Eles podem indicar com precisão, usar a sensibilidade. São pessoas para nos ajudar.

A literatura é curativa: para escrever, para ler, para trabalhar. É uma vivência segura, que é o que a pessoa precisa – e o acompanhante oferece isso – a vivência segura. Por isso que a pessoa consegue fazer essa ponte entre o isolamento em que ela está para a vida plena e legítima, a que ela tem direito. O AT é um apoio, mas não um apoio indiscriminado. Essa é a questão. Então por que o familiar não é uma companhia terapêutica?

Qualquer pessoa poderia ser terapêutica. Mas a gente tem uma ânsia de ajudar que prejudica.


Por exemplo, as crianças que não falam. Muitas crianças com essa dificuldade de dizer as coisas têm por trás uma mãe que faz tudo por elas. A criança aponta e a mãe já sabe o que é. Não deixa que ela experimente o vazio, a necessidade, por tempo suficiente para precisar da palavra. A mãe onipresente é a supermãe – e a criança não se desenvolve. E ela não consegue sair desse lugar de superpotência.


Assim também acontece com o fóbico, que exige a presença contínua do familiar que não sabe abdicar do posto depois.
A família pode ser um lugar de adoecimento, mas também de saúde. Para isso serve a informação.

Não somos obrigados a adivinhar como tudo funciona. Instruir-se é a saúde primeira.


Querer saber e pesquisar; aprender é o primeiro ato de cura.

sábado, 26 de setembro de 2009

Curso de Instrução do AT na Rádio Gaúcha

Curso de Instrução do Acompanhante Terapêutico


Começa nesta quinta-feira, dia 01 de outubro de 2009 o Curso de Instrução do AT no Espaço Cultural Clínica Verri com Roberto Milman Azambuja e Cínthya Verri.

O Curso já tem seu próprio blog - acesse para mais informações.

Aqui Cínthya Verri fala com Sara Bodowsky na Rádio Gaúcha sobre o curso - Acesse o Brasil na Madrugada.

domingo, 13 de setembro de 2009

Curso de Instrução do Acompanhante Terapêutico - Módulo I


Dante e Virgílio no Inferno (1822), de Eugène Delacroix


O Acompanhante Terapêutico é um terapeuta que anda junto. Faz comitiva para os acontecimentos. É platéia interativa na vivência. O AT acontece por dentro do ambiente, por isso mora tão perto dos desejos. O AT divide a memória com a cidade: os muros, as calçadas, os carros, as lojas do bairro, os correios – tudo é ampliador da saúde. As lentes do AT são espelhos de ver-se possível. O AT é uma larga porta de entrada.

O acompanhado apresenta sua vida ao acompanhante: sua cartografia, suas atividades e seus não-fazeres, seus pertences, suas habilidades, suas vontades. Nessa exposição, a pessoa encontra a si mesma, em novas versões que desconhecia ou tinha esquecido. O olhar que reconhece as diferenças, as novidades, os atributos vêm cedidos pelo acompanhante. O AT empresta a si mesmo para o outro descobrir-se.

O AT em geral integra uma equipe de trabalho multiprofissional (psiquiatra, psicanalista, terapeuta familiar, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, entre outros), participa da construção de projetos terapêuticos singulares para cada um.

Seu campo de trabalho é o próprio espaço público, fora das instituições convencionais de tratamento ou consultórios.

O trabalho deste profissional não está vinculado exclusivamente a graves casos psiquiátricos – mas foi neste meio que teve sua origem.

Hoje, o AT desenvolve projetos com os mais diversos quadros clínicos: quadros depressivos, quadros fóbicos, dependentes químicos, distúrbios alimentares, entre muitos outros.

O objetivo é tornar o cliente ativo frente suas dificuldades e sofrimento para superá-los. O trabalho do AT preocupa-se em não permitir que o cliente fique dependente das soluções e formulações criadas pelo terapeuta, mas que desenvolva suas próprias.

É preciso incentivar o movimento de busca no cliente. Levá-lo às suas formulações, reflexões e invenções criativas em seu meio. Também saber pontuá-las, valorizando-as assim quando ocorrerem. É importante a atenção do AT para não se transformar em modelo. Ele possivelmente seja eleito pelo acompanhado como tal, mas a atuação clínica não pode ser baseada nisso.

Quem pode ser AT?

Qualquer pessoa pode tornar-se um AT. Em geral, requisita-se o ensino médio completo para ingressar em um curso de formação. Porém, a coisa mais importante para ser um bom acompanhante, além do treino e da instrução adequada, é a vocação sincera de ajudar alguém a reencontrar-se.

O fazer do AT

O atendimento de um AT dura em média duas horas, mas isso pode variar conforme a necessidade. Existem modalidades de Home Care, onde ATs se revezam para cuidar alguém em casa continuamente.

No caso de uma estrutura psicótica, o AT fará um trabalho de tradução da realidade, o que muitas vezes lembra o zeloso trabalho de uma babá. Mas a escuta e o cuidado nos manejos são totalmente diversos.

Com pacientes neuróticos, o trabalho é geralmente em curto prazo e a questão abordada é mais focal.

Isso varia de caso para caso. Na maioria das vezes, o AT trabalhará fobias sociais, toxicomanias, distúrbios e transtornos em geral que impliquem um trabalho mais voltado às atividades diárias, de reinserção e reinclusão sociocultural.

O que se estuda para ser AT?

Muitos conteúdos podem compor o estudo que é inesgotável. Para o curso, selecionamos os indispensáveis.

Neste módulo veremos tópicos essenciais à base do trabalho:

Introdução à Clínica Ampliada: Clínica Peripatética/ Introdução ao AT/ Análise de Filme
Aula da Base Terapêutico: devem haver outras formas de amor
Aula das Verdades : Genealogia da moral/Metamorfoses/ Trânsito dos afetos
Aula da Psicopatologia: Exame do Estado Mental
Aula de Emergências Psiquiátricas: Abordagem e Contenção em momentos críticos
Aula dos Dilemas: Amigo? Terapeuta? Errar é Terapêutico?
Aula da Família: O trabalho com os familiares
Aula de Casos Clínicos Clássicos

Nova turma: Outubro 2009




Encontre sua Profissão ajudando alguém a se reencontrar:

Curso de Instrução do Acompanhante Terapêutico



O AT desenvolve projetos terapêuticos para diversos quadros clínicos: depressivos, de pânico e de fobias, dependentes químicos, distúrbios alimentares, entre outros.

Geralmente integra uma equipe multiprofissional com psiquiatra, psicólogo e outros profissionais. Porém, seu trabalho acontece fora das instituições convencionais ou consultório.

O AT acompanha o paciente em atividades do seu dia-a-dia compondo experiências de interação e vivência em espaço público ou em casa. O objetivo é ajudar o acompanhado a tornar-se ativo frente a suas dificuldades e sofrimentos – sem ser dependente das soluções e formulações criadas pelo terapeuta, mas desenvolvendo suas próprias saídas.




Neste primeiro módulo veremos tópicos essenciais à base do trabalho:

Introdução à Clínica Ampliada: Clínica Peripatética/ Introdução ao AT/ Análise de Filme
Aula das Verdades : Genealogia da moral/Metamorfoses
Aula da Base Terapêutica: deve haver mais de uma forma de amor .
Aula da Psicopatologia: Exame do Estado Mental
Aula de Emergências Psiquiátricas: Abordagem em momentos críticos
Aula dos Dilemas: amizade pode ser terapêutica? O encontro é terapêutico? Para que é a terapia?
Aula da Família: O trabalho com os familiares
Aula de Casos Clínicos Clássicos



Datas: 01/10; 08/10; 15/10; 22/10; 29/10 - 5/11; 12/11; 19/11

$: 200,00 mensais

Inscrições: (51)3022.4444 / atendimento@clinicaverri.com.br