quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Curso de Instrução do AT - Módulo II


renda-se, arte de Eliana Guedes Mussnich


Recomeçaremos em março nossa caminhada rumo ao AT.

Construímos um cronograma inicial, ele poderá ser alterado ao longo dos encontros.
Gostaríamos de saber quem está interessado em continuar participando do Módulo II.

Para fazer este módulo não é necessário ter feito o primeiro. A ordem dos fatores não altera a compreensão.

Informamos que abriremos novas turmas para Módulo I em maio.

Cronograma Segundo Módulo – Março e Abril 2010
Início das Aulas: 18/03
Sempre às quintas, 20h.

Sete Aulas
1. Qual é o trabalho do Acompanhante Terapêutico?
2. Aula do Capim Anoni ou O delírio de grandeza
3. Psicofarmacologia Básica – Noções sobre medicação usada em psiquiatria
4. A Liberdade de Escolha e a Felicidade Sintética
5. Psicopatologia Básica I
6. Psicopatologia Básica II
7. Discussão de Caso

Ao final de cada aula, abriremos para discussão de casos. Estamos negociando convênio para atendimento e fazendo divulgação do trabalho.

Os valores seguem os mesmos do ano passado, 2x de R$200,00.

Inscreva-se:
contato@clinicaverri.com.br

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Você tem medo de quê? Brasil na Madrugada - 03/02/2010


Estivemos no programa da
Sara Bodowsky (@SaraBodowsky)
dia 03 de fevereiro, na Rádio Gaúcha.
Falando em Fobias,
como não falar de At?

O filósofo Roberto Azambuja e a médica e psicoterapeuta Cínthya Verri debatem os medos e as fobias. Eles explicam como superá-las quando se tornam doença e esclarecem as dúvidas mais comuns, além de deixar dicas de como lidar com a ansiedade.

Confira o programa da dulcíssima @SaraBodowsky



Aqui, a dica de leitura dada no programa:


De Allen Shawn, Bem Que Eu Queria Ir, Notas de uma vida fóbica.

Alguns trechos:

Em geral, o agorafóbico sofre de uma culpa terrível por todas as ocasiões e oportunidades perdidas ou estragadas por suas reações e pelas ausências ou partidas inexplicadas que feriram suas relações.

No que se refere à confrontação dos riscos normais da vida, há decerto muita verdade no velho conselho de voltarmos imediatamente a montar o cavalo que nos derrubou. Uma experiência que rapidamente contradiz um trauma pode ajudar o cérebro a se curar com ainda mais velocidade.

[Segundo Freud] as carícias que recebemos quando bebês e continuamos a buscar em formas mais maduras quando crescemos podem nos ajudar a sobreviver. (Mais recentemente, o psicanalista francês Didier Anzieu escreveu sobre o "eu-pele" (le moi-peau) e a importância de sermos acariciados, dizendo que o afeto físico é um reforço essencial do "eu".)

Quando hábitos de evitação e ansiedade persistem por muito tempo, eles se tornam parte de você, como a dor crônica. O cérebro se acostuma às conexões, e elas se consolidam. O impressionante, no entanto, é que mesmo o cérebro adulto pode construir conexões completamente novas. As antigas podem se desfazer - se a pessoa estiver pronta a desfazê-las - e por fim, com muito trabalho, podem ser substituídas.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Projeto Terapêutico de Final de Módulo


Artwork: Van Gogh

Trabalho de conclusão do Curso de Instrução ao AT: um paciente imaginário
Baseado no conto A terceira margem do rio, de Guimarães Rosa, in Primeiras Estórias, Ed. Nova Fronteira, RJ, 1988, p. 32.

Nome do paciente: Eu
Família de origem do paciente: Pai, mãe, um irmão e uma irmã.

Nome do Acompanhante Terapêutico: Eliana Guedes Mussnich

História: Segundo Eu, ele adoeceu, sofreu "o grave frio dos medos" numa situação em que, já adulto, e por iniciativa própria, tomaria o lugar do pai na canoa onde este vivia e, no momento da decisão, "por pavor, arrepiados os cabelos", correu, fugiu, se tirou de lá, "num procedimento desatinado".

Entrevista inicial de Acompanhamento Terapêutico com o paciente Eu:

Eliana(eu), aqui identificada como AT, viajei para chegar até onde Eu vive: em frente ao rio. Ao me ver, nos cumprimentamos. Me apresento a ele como a estrangeira que vem lhe ajudar, que vem convidá-lo a sair do território de sofrimento onde se encontra.

Com que então, vai a conversa entre Eu e Eliana (AT):

AT: Então você vive aqui na beira do rio?
Eu: Faz tempo.
AT: E de que você gosta?
Eu: De pensar.
AT: Legal. Também gosto de pensar.
Eu: Mas tem uma coisa que eu gosto muito de pensar.
AT: Ah, é? Quer me contar?
Eu: Gosto de pensar que, um dia, virá alguém que vai pegar em mim e me depositar também numa canoinha de nada. Nessa água que não pára. E aí eu vou rio abaixo, rio afora, rio adentro.
AT: Numa canoinha de nada...
Eu: Dessas pra um só homem deitado.
AT: E o que você faz?
Eu: Fico aqui.
AT: Tem companhia?
Eu: Não. Mais ou menos. Você.
AT: É. Lembra que nós conversamos por telefone e você quis que eu viesse?
Eu.: Claro.
AT: E em que eu posso te ajudar, Eu?
Eu: Meu pai era homem cumpridor.
AT: Onde ele está agora?
Eu: Não sei.
AT: Ele era cumpridor.
Eu: Eu não sou. De que era que eu tinha tanta culpa, meu Deus?
AT: Vamos ver. O que você está fazendo aqui?
Eu: Nada.
AT: Não. Presta atenção: o que você está fazendo aqui?
Eu: Eu estou me lembrando do que aconteceu.
AT: O que aconteceu?
Eu: Um dia, quando eu era criança, meu pai mandou fazer pra ele uma canoa e foi viver dentro dela, no meio do rio. Aquela canoa era pra ele viver nela uns vinte ou trinta anos. Foi e não disse nada. Um dia, a canoa ficou pronta.
AT: Vamos caminhar um pouco?
Eu se levanta.
Eu: Ele foi, ainda me espiou como que dizendo de ir também. Mas eu tive medo da mãe, que jurou que ele não entrava mais em casa.
AT: Hoje o rio está mais baixo?
Eu: É.
AT:Onde vocês moravam?
Eu: Naquela casinha lá.
AT: Vamos até lá?
Eu: Vamos. Então, a gente ficou aqui, eu, a mãe, meus irmãos. Veio jornalista pra entrevistar o pai no meio do rio, mas ele se escondeu. Eu levava comida pra ele.
AT: Quantas pessoas cabem numa canoa?
Eu: Uma.
AT: Então, se só cabe uma, você hoje sabe que não teria espaço pro seu pai e você juntos na canoa que ele foi.
Eu: Eu sei. Por isso que eu achei, depois, que já estava na hora dele descansar e eu tomar o lugar dele na canoa.
AT: Na canoa dele.
Eu: Na canoa dele.
AT: Na canoa que o teu pai mandou fazer pra ele.
Eu: É, ele mandou fazer.
AT: Pra ele.
Eu: Sim, mas eu podia ter substituído ele.
AT: E nessa altura, quem morava com você?
Eu: Ninguém. A mãe e os meus irmãos foram viver na cidade.
AT: Eles resolveram tocar a vida pra frente.
Eu: Eu sou culpado do que nem sei. Mas me dói. E eu pergunto: a senhora acha que eu sou doido?
AT: Olha, eu não acho. Você lembra do meu nome?
Eu: Ah, desculpe.
AT: Sem problemas, o meu nome é Eliana.
Eu: Eliana.
AT: Eu trouxe pra você.
Eu: Um rádio de pilha?
AT: Você gosta de música.
Eu: Mas eu não escuto.
AT: Agora pode escutar, de rádio novo. É seu.
Eu: Eu não me lembro de músicas...
AT (ligando o rádio): Ouve.
Eu: Eu acho que todo mundo é doido ou ninguém é.
AT: Eu também.
Eu: Ha! A senhora não acha isso...
AT: Ué? Por quê?
Eu: Veio até aqui esse fim de mundo pra falar comigo.
AT: Sim, eu viajei até aqui pra trabalhar com você. Você quis que eu viesse.
Eu: Eu quis porque estou muito sozinho e o doutor disse que seria bom para mim ser acompanhado de uma pessoa que me ajudasse.
AT: Então você entendeu, não entendeu?
Eu: Agora ficou difícil. Essa música eu gosto. Eu não sei construir uma canoa.
AT: Nem eu. Mas tem gente que sabe.
Eu: O homem que fez a canoa do meu pai sabia o porquê dele querer ir embora, mas ele morreu antes de eu poder perguntar.
AT: Existem outros homens que fazem canoas.
Eu: Aqui não tem mais jeito. Eu só penso nisso. Que ele foi, não me levou com ele, e depois quando ele quis deixar eu trocar de lugar com ele eu não tive coragem.
AT: Sim. Agora, você pode fazer uma outra história. Uma nova história.
Eu: Como assim?
AT: Uma canoa pra você.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Projeto Terapêutico de Final de Módulo


Este é o Projeto de Final de Módulo da Andiara.
Um capricho essa moça.


Projeto Terapêutico


Personagem

Patinhas McPato ou Patinhas McPatinhas, conhecido como Tio Patinhas (Uncle Scrooge), foi criado por Carl Barks, em 1947, para a história "Natal nas Montanhas”.


Motivo

Pelo bom faro para os negócios, pela persistência e por ser muito avarento.


História do personagem

Tio Patinhas é o pato mais rico do mundo, tendo em sua caixa-forte "3 acres cúbicos" de dinheiro. Sendo o maior pão-duro da face da Terra, tem guardada até hoje a primeira moeda que ganhou na vida, como engraxate, ainda menino. A Moedinha n.1 é sua moeda da sorte, e muitas vezes ele atribui a ela a origem de toda sua fortuna. É claro que isso é uma superstição, pois o que conta mesmo é o trabalho duro como garimpeiro durante a Corrida do Ouro, no Klondike, o bom "faro" para negócios e encontrar tesouros, e o aspecto "econômico" de sua personalidade. Ele mora em Patópolis, e sua caixa-forte fica no topo do morro mais alto da cidade, a Colina Mata-Motor, cercada de armadilhas de todo tipo.

Como homem de negócios e caçador do tesouros, Patinhas é notável por sua necessidade de criar novos objetivos e enfrentar novos desafios. Conforme o personagem criado por Barks, para Patinhas “sempre há um novo arco-íris.” A frase foi usada como título de um dos quadros mais conhecidos de Barks retratando Patinhas. Os períodos de inatividade entre aventuras e a falta de desafios sérios tendem a deprimir Patinhas de vez em quando; algumas histórias descrevem esta fase como tendo efeitos negativos em sua saúde.

Nas histórias do roteirista Guido Martina e ocasionalmente nas de outros, Patinhas tem um cinismo notável, especialmente quanto a idéias de moralidade nos negócios e à busca de seus objetivos.

Entretanto, Patinhas parece ter um sentido pessoal de honestidade que lhe assegura um certo autocontrole. Como conseqüência, pode freqüentemente ser visto mudando seu curso de ação quando dividido entre uma perseguição sem escrúpulos de seu objetivo real e usar as táticas que considera mais honestas. Por vezes, pode sacrificar seu objetivo para permanecer dentro dos limites de seu sentido de honestidade. Assim, baseado nas decisões que faz, Patinhas pode ser o herói ou o bandido de suas histórias.

Patinhas tem um temperamento explosivo e raramente hesita em usar de violência contra quem provoca sua ira; entretanto, parece se opor ao uso de força letal. Às vezes até poupou as vidas dos inimigos que tinham ameaçado sua própria vida. De acordo com a própria explicação de Patinhas, fez aquilo (não matar) para não carregar sentimento de culpa sobre suas mortes, mas geralmente não espera nenhuma gratidão deles. Patinhas também expressou opinião de que só nos contos de fadas os maus se tornam bons, e que é velho demais para acreditar em contos de fadas.

Oq. vamos trocar/pq. é importante para nós

- Experiência de vida;
- Experiências profissionais/negócios;
- Dinamismo em novos desafios;
- Como lidar com o dinheiro de forma mais leve e feliz, aproveitando melhor a vida com as vantagens que o dinheiro proporciona;
- Percepção de honestidade;
- Como não carregar sentimento de culpa;
- Como ter bom humor através de causas sociais, e quem sabe ver nisso um novo negócio;
- Os benefícios que os amigos e tb as relações familiares nos proporcionam;


Como vamos trabalhar

Faremos encontros semanais (à combinar) onde “passearemos” por lugares que retratam todas as classes socias. Vivenciaremos situações em que teremos boas condições financeiras e outras nem tanto.

Iremos a parques, de peferência nas praças infantis para ver e sentir a alegria genuína. Brincaremos de balanço, de gangorra, de jogar bola. Comeremos e distribuiremos picocas para todas as crianças.

Visitaremos orfanatos para ver a dificuldade de crianças sem familiares. Iremos a asilos e veremos idosos abandonados e sem condições financeiras. Conheceremos várias ONGs e/ou projetos sociais (cujos temas sejam de interesse do Patinhas) para despertar uma visão mais humana e menos avarenta de vida.

Vamos ao teatro conhecer os modernos contos de fadas e descobrir que até os brutos amam. E também, trataremos da saúde do Patinhas e daremos a ela a importância que merece.

Equipe Trilhas Acompanhantes Terapêuticas de Udia

Olha o trabalho do pessoal de Uberlândia que a Eli achou:

Equipe Trilhas Acompanhantes Terapêuticas de Udia

Fundada em 1995, é pioneira no trabalho de acompanhamento terapêutico na cidade de Uberlândia. Oferece cursos, desenvolve oficinas, palestras e supervisões. É constituída por profissionais da área da saúde e educação.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Projeto Terapêutico de Final de Módulo



Cain and Abel, per Simon Vouet e Pietro Novelli, c. 1620

Este é o Projeto Terapêutico de Final de Módulo da Cínthya Verri,
elaborado para a aula da Primeira Turma.



Caim

É o personagem da bíblia que assassina seu irmão Abel.

No romance que leva este nome, Saramago compila várias narrativas bíblicas do ponto de vista de Caim.

O protagonista, depois de matar o irmão, encontra-se com deus e discutem a autoria do ocorrido: afinal, deus poderia ter evitado o infortúnio e não o fez.

Concordando com ele, deus marca-lhe a testa e diz que ele será um andarilho perpétuo: nunca cessará de caminhar. Terá dentro de si uma inquietação chamada acatisia: a impossibilidade de ficar parado. E que não poderá ser morto por alguém.

A saga apresenta um Caim revoltado com deus e vivendo somente seu rancor contra ele: seu destino é unido a esse pai de quem discorda e em quem pensa a todo o momento. Seu ponto de referência é deus e não a si mesmo. Por isso Caim é um trotamundo e suas ações voltam-se contra o pai e não vão a favor de si.

O trabalho com Caim seria ajudá-lo a desistir do remorso; desobedecer à culpa que prefere carregar a estar sozinho. Caim precisa de ajuda para ser quem é e estar bem, dirimir sua inquietação.

O trabalho com ele eu imagino que seria longo e difícil; exigiria toda atenção para não contrariar sua crença em um primeiro momento.

Acredito que o vínculo é o único modo de fazer isto.

Vejo que poderia ajudá-lo a viver e ser legítimo em seu amor por lilith e seu filho ecron, desejo que precisa atravessar o perdão e pousar.

Para mim seria importante porque reflete meu próprio estado de espírito cigano, de quem tem medo de fazer raízes e precisa enfrentar isso dia-a-dia.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Projeto Terapêutico de Final de Módulo


Bill Watterson's Calvin and Hobbes


Este é o Projeto Terapêutico do Roberto Azambuja,
elaborado para a aula de encerramento da Primeira Turma.



O personagem que eu escolhi é o Calvin, do Calvin and Hobbes. Eu escolhi o Calvin porque ele é o típico garoto que é trazido para tratamento por ser hiperativo.

O Calvin, quando chega para tratamento, já deve estar tomando até ritalina. Os pais se queixam muito da agitação dele, que ele não pára quieto e está sempre no mundo da lua. Eles me contam tudo isso na sala da casa deles, quando nós conversamos pela primeira vez. O Calvin está junto mas não presta atenção em nada, só brinca com o urso de pelúcia dele.

A coisa mais legal de conversar com o Calvin é que eu percebo que o problema dele não é a sua hiperatividade, mas a lerdeza dos outros. Ele acha que o mundo dos grandes e muito chato, sério, e por isso ele quer continuar no mundo dele. O legal do trabalho com ele para mim ia ser mostrar pra ele que mesmo assim a gente tem que achar um jeito de viver bem.

Eu me identifico com o Calvin, e isso ia ser um bom início de trabalho.

Acho que no início do tratamento ele ia achar que eu estou tentado mudar ele (porque é isso que os pais dele querem, que eu ajude ele a se adaptar), mas na verdade o meu trabalho com ele ia ser ajudar a juntar o mundo da imaginação com o mundo prático.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Projeto Terapêutico de Final de Módulo


Arte de Gabriel Bá, em sua adaptação para HQ do Alienista


Este é o projeto terapêutico de Cínthya Verri,
elaborado para a aula de encerramento da Segunda Turma


Simão Bacamarte
Personagem de O Alienista, de Machado de Assis.

Simão Bacamarte era um médico muito interessado em estudar e desenvolver métodos para curar a mente humana.

Tomado de um furor curandis, Bacamarte saiu pela cidade diagnosticando e internando toda a cidade.

Por fim, termina confinando a si mesmo na Casa Verde, acreditando ser ele o único e verdadeiro insano – ou no mínimo senda essa sua única alternativa de vida.

Eu acompanharia Simão para que pudesse ver além da análise, uma possibilidade de viver.

Simão claramente delirava sobre a condição humana, nada mais. Desejava que nós fôssemos equilibráveis, não via ternura ou graça em nossas características.

Classificava nossos comportamentos julgando como patologias aquilo com o que não concordasse.

Deixou de ver a própria mulher, que adoeceu tentando viver com ele.

Com o AT, Simão poderia sair para passeios além dos muros, além dos territórios já por ele tão sabidos. Nas caminhadas, aos poucos poderia ir falando comigo sobre suas impressões, conversaríamos sobre psicodiagnósticos, fenomenologia e psicopatologia, DSM IV, CID 10 e outros manuais. Brincaríamos de exame de estado mental.

Aos poucos, poderíamos ir relaxando um ao outro, ambos fascinados que somos pela nossa mente e expressões.

Eu aprenderia com sua grande capacidade de organização, ele poderia gostar de minha companhia, já que gosto de tantos assuntos diferentes ao mesmo tempo.

Com um pouco de bom humor e leveza, Simão seria um grande terapeuta.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

CINETERAPIA: com Odon Cavalcanti & A Excêntrica Família de Antonia

Nosso convidado da noite
Odon Frederico Cavalcanti Carneiro Monteiro;

mas tivemos também lindas pautas de Maria Carpi.



Odon disse, entre muitas outras coisas:
aquele que tem intimidade com a morte vive melhor.

Quem aceita o milagre da morte vive o milagre da vida.

Também disse que algumas pessoas não amam porque não podem amar: assim como a natureza faz árvores imperfeitas, faz pessoas imperfeitas para o amor. E não é de psicoterapia que elas precisam.

Lembrou em suas frases que a coisa mais importante da vida é a própria vida. É melhor vivê-la que julgá-la.

Nosso convidado mostrou seu profundo respeito e admiração pela vida como um todo; e nós brindamos a tudo isso.


Este encontro aconteceu no melhor dos lugares: ao redor de uma mesa, com anfitriões generosos que abriram sua casa para nós.

Acho que ficamos na largueza do seu acolhimento.

Confira aqui um trecho para sentir o clima:




Nossas trocas posteriores

Queridos,
Foi uma noite gloriosa nossa ontem. Refizemos o filme e fizemos um belo poema.
O Odon estava ótimo e a Maria Carpi também.
Nossos anfitriões: perfeitos.
Estou curtindo tudo até agora.
Obrigado, um beijo a todos,
Beto

Que dizer? Obrigada por terem nos acolhido entre vocês!

Antonia, e cada um que estava compartilhando esse bom encontro, seguem dialogando comigo... produzi muitas coisas entre meus sonhos e minha sessão de análise de hoje. Meus olhos brilham. Sinto-me cheia de vida, de intensidade!

Abraços

Francielle Limberger Lenz


Queridíssimos!
Realmente,
Maravilha das maravilhas.

Estou feliz e sorrindo até agora com o milagre todo.

Muitos beijos!
Cín

terça-feira, 24 de novembro de 2009

CINETERAPIA com Paulo Sérgio e Elisabeth



A sessão, além da alegria de Paulo Sérgio, também teve:
falas do
Odon Frederico Cavalcanti Carneiro Monteiro e da Maria Carpi;
a presença maravilhosa de muitas pessoas; e
Elisabeth esteve magnífica na tela. Ela nos mostrou com naturalidade que somos despreparados para a vida, mas não é isso que nos faz adoecer.

A porta da vida se abre sempre que nos aproximamos; é preciso coragem para entrar e enfrentar os fantasmas.
Ela não foi “Terapeuta”. Elisabeth foi acompanhante: do pai, da mãe, de Agnés, do cachorro Nuts, de Rose e de Yvon. Por isso é que puderam crescer juntos.
O importante é que possamos “sair” do pai e da mãe, sem brigar nem nada, não é necessário deixar ninguém – mas é fundamental sair, para termos nosso próprio nome.

Diz Fernando Pessoa, na voz de Paulo Sérgio:

A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Nosso agradecimento especial ao Cinebancários, que abriu as portas de sua casa.

Ficamos muito felizes com a presença de vocês. Queremos que participem dando sugestões, pedindo filmes, criticando, indicando nomes.

Nooso email de contato é contato@clinicaverri.com.br.


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

CINETERAPIA com Paulo Sérgio e Elisabeth

Veremos Filmes
apresenta:
CINETERAPIA



Na segunda-feira, dia 23/11, às 20h, veremos Eu Me Chamo Elisabeth (Je M'Appelle Elisabeth)* na companhia do Paulo Sérgio Rosa Guedes.

Este evento nasce do Curso de Instrução do AT e é aberto a interessados em viver melhor.

*O filme está disponível no Brasil somente em película; em DVD apenas para a Europa, portanto a oportunidade é rara.

O Sindicato dos Bancários cede a casa - isso tudo acontece lá:

Cinebancários

Rua General Câmara, 424 - Centro
Pertinho do Theatro São Pedro (google-mapa no fim do post)
Ingressos a R$20,00 (80 lugares)

Reservas de ingressos deverão ser feitas por email
(atendimento@clinicaverri.com.br)
e serão válidas até 20 minutos antes da sessão.



Eu Me Chamo Elisabeth

titulo original: (Je M'Appelle Elisabeth)

lançamento: 2006 (França)

direção: Jean-Pierre Améris

atores: Alba Gaïa Kraghede Bellugi , Stéphane Freiss ,
Maria de Medeiros , Benjamin Ramon , Yolande Moreau

duração: 90 min

gênero: Drama




Paulo Sérgio Rosa Guedes


Percebe a solidão e diz que é insuportável sermos tão diferentes um do outro.


Paulo Sérgio é um magneto.


Ele, de si, conta assim: que conquistou a medicina, que a música o formou, que tenta um pouco a poesia e é assim que se afina para tornar-se o que é.


Não pode ser reduzido à psico-análise que ensina, embora generosa e brilhante.


Ajuda-nos a viver com coragem e fala com a verdade necessária.


Autor de “O Sentimento de Culpa”; de “Nada precisa ser como é”; organizou e compôs “Palavras Guardadas”.


Reside em Porto Alegre e vive com paixão.


Pode ser encontrado em Punta del Este, em formosas quadras de tênis, hábeis mesas de Poker, em salas de cinema quase vazias, dentro da música, com amigos, com amor.


[Entrevista em 2007]




Exibir mapa ampliado

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O fazendeiro e o trigo - Osho

Me contaram uma antiga parábola - deve ser bem antiga, porque Deus vivia na terra nessa época.

Um dia um homem foi até ele, um velho fazendeiro, e disse:

"Olhe, você pode ser Deus e pode ter criado o mundo, mas devo lhe dizer uma coisa: você não é um fazendeiro. Você nem sabe o básico sobre fazendas.

Deus disse: "Qual o seu conselho?"

O fazendeiro respondeu: Me dê um ano, me deixe fazer as coisas do meu jeito e você verá o que vai acontecer. Não haverá mais pobreza!"

Deus estava disposto a tentar e deu um ano para o fazendeiro. Naturalmente, este pediu apenas o melhor, só pensou no melhor: sem trovões, sem fortes ventanias, sem perigos para as plantações. Tudo era muito confortável, acolhedor, e ele estava muito feliz. O trigo estava crescendo muito! Quando ele queria sol, havia sol. Quando ele queria chuva, havia chuva, e tanta chuva quanto ele achasse necessário. Nesse ano tudo esteve correto, matematicamente correto. Mas, quando foi feita a colheita, não havia grãos de trigo dentro. O fazendeiro ficou surpreso e perguntou a Deus o que havia acontecido, o que havia saído errado.

Deus disse: "Como não houve dificuldades nem conflitos, nenhum atrito, como você evitou tudo aquilo que podia ser ruim, o trigo se tornou impotente. É necessário que haja alguma dificuldade. As tempestades, os trovões, os raios, todos eles são necessários. Eles fazem com que a alma do trigo se mobilize."

Se você está apenas feliz, feliz e feliz, a felicidade irá perder todo o seu sentido. Será como alguém que escreve com giz branco sobre uma parede branca. Ninguém será capaz de ler o que foi escrito. É preciso escrever em um quadro-negro para que as coisas se tornem claras. A noite é tão necessária quanto o dia. E os dias de tristeza são tão essenciais quanto os de alegria. Chamo isso de compreensão.
Uma vez que você tenha entendido isso, pode relaxar: nesse relaxamento estará a entrega. Você dirá: "Seja feita a vossa vontade." Você dirá: "Faça o que achar mais correto. Se hoje forem necessárias nuvens, que venham nuvens. Não me ouça, minha compreensão é limitada. O que sei sobre a vida e seus segredos? Não me ouça! Continue agindo de acordo com a sua vontade."
Então, lentamente, quanto mais você perceber o ritmo da vida, o ritmo da dualidade, o ritmo da polaridade, mais irá parar de pedir, de escolher.
Esse é o segredo. Viva com este segredo e veja a beleza. Viva com este segredo e subitamente você será surpreendido: como é grande a bênção da vida! Quanto é despejado sobre você a cada momento!
Miséria significa que as coisas não estão de acordo com seus desejos. E as coisas nunca estão de acordo com seus desejos, não podem estar. As coisas apenas vão seguindo sua natureza.
Lao Tsu chama essa natureza de Tao. O Buda chama essa natureza de Dhamma. Mahavir definiu a religião como "a natureza das coisas". Nada pode ser perfeito. O fogo é quente e a água é fresca.
Um homem sábio é aquele que relaxa em ação, com relação à natureza das coisas, aquele que segue a natureza das coisas.
E quando você segue a natureza das coisas, não há sombras a seu redor. Não há infelicidade. Mesmo a tristeza é luminosa nesse caso, mesmo a tristeza é bela. Não digo que não haverá tristeza: ela virá, mas não será sua inimiga. Você será capaz de ver sua graça e será capaz de ver por que está lá e por que é necessária.

Nietzsche - Além do Bem e do Mal

nietzsche alem do bem e do mal

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A História de Sueli e Tadeu - Parte II

História de Um Olhar - Eliane Brum

Do livro A Vida Que Ninguém Vê, de Eliane Brum
confira o pdf:

História de Um Olhar

A Dama das Luvas

Nos Gerais da Dor - Maria Carpi

Maria Carpi


#35

Eu aceito, Dor, de ti separar-me
e que não mais haja tua epiderme
a testar o quente e o frio,
a distância e os lábios rentes.
Vou diretamente ao fogo e à água.
Separemo-nos. Tu como um poema
que eu tivesse escandido na exaustão
de um sumo maduro que, todavia,
goteja. Eu, em meus ossos enxutos,
harpa que os ventos encarregar-se-ão
de timbrar, sem a suavidade pássara
de tuas mãos. Separemo-nos!

À Espera dos Bárbaros

Konstantino Kaváfis (1863-1933)

O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?

É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?

É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?

É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloqüências.

Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?

Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.